Visita do Secretário de Estado da Cultura do RS

Pintura Corporal com Grafismos KaingángNesta quarta-feira (27 de abril de 2011), o Secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, participou da programação organizada pelo Ponto de Cultura Kanhgág Jãre (Raízes Kaingáng), na Terra Indígena da Serrinha, em Ronda Alta.

O Ponto de Cultura da comunidade Kaingáng de Serrinha – contemplado em 2005 pelo Ministério da Cultura, a partir do programa Cultura Viva – desenvolve diversas atividades, buscando promover e valorizar a cultura Kaingáng. Durante o mês de abril, esteve com intensa programação voltada a escolas e comunidade indígenas e não indígenas, com destaque para a Exposição Artística “Eg Nén Sinvi Hár”, que integra o Projeto Interações Estéticas (também do MinC), em sua II edição.

Pela manhã, após apresentação da exposição e da sede do Ponto de Cultura, foi realizada uma solenidade em um ginásio público, com a participação da comunidade e de lideranças Kaingáng de várias localidades, representantes de governos municipais, estadual, parlamentares, da 39ª Coordenadoria Regional de Educação e estudantes da rede pública de ensino. A atividade contou com apresentações culturais realizadas pelos estudantes e professores da Comunidade de Serrinha e da Terra Indígena de Nonoai.

O secretário recebeu das mãos dos anciãos do Grupo Kanhgág Kanhro, integrantes do Projeto Ação Griô Nacional (MinC), o catálogo impresso e o DVD com o catálogo digital das obras em exposição, além do Kit Poranduba de contação de estórias. Foi presenteado ainda pelo Ponto de Cultura Kanhgág Jãre com uma escultura de madeira de autoria do artista Jair Bento, da Terra Indígena Guarita. A escritora e arte educadora, Luciana Vãgri, o presenteou com um livro infantil de sua autoria, relembrando a importância de valorizar e divulgar o trabalho dos escritores indígenas no Brasil, principalmente no âmbito das escolas.

A coordenadora do Ponto de Cultura, Andila Inácio, ressaltou que, para os povos Kaingáng, a cultura é o carro-chefe da educação. Para ela, o Ponto de Cultura constrói justamente a visão da cultura indígena. A Diretora Executiva do INBRAPI, Fernanda Kaingáng, recordou que estamos na II Década Internacional dos Povos Indígenas, cujo objetivo é dar visibilidade aos Povos Indígenas e, nesse sentido, a Exposição Artística “Eg Nén Sinvi Hár” é motivo de orgulho porque demonstra a beleza e a riqueza da Arte Indígena Kaingáng.

Segundo o secretário Assis Brasil a grande emoção da atividade não ficará apenas em sua memória, mas se traduzirá em ações efetivas. O secretário afirmou que “o Rio Grande do Sul é um estado absolutamente único, multiétnico, e que é exatamente esse contato de culturas que nos torna únicos”. Lembrou ainda que a nossa base demográfica é Kaingáng, pois aqui já viviam muito antes da chegada de europeus e africanos. O secretário convidou a comunidade a compor o Conselho Estadual de Cultura, em duas vagas (titular e suplente) destinadas à indicação pela SEDAC.

REUNIÃO COM LIDERANÇAS E ENCAMINHAMENTOS
Após almoço com a comunidade, realizou-se uma reunião com as lideranças kaingang ligadas ao Ponto de Cultura. Nesta ocasião, as lideranças apresentaram a história da comunidade e da constituição do Ponto, falaram da situação indígena no país e no estado, a sua visão sobre cultura, sobre o papel do Estado e apontaram necessidades. No diálogo, traçaram-se diretrizes e possíveis ações governamentais voltadas à salvaguarda e à promoção da cultura indígena no estado. Além disto, o secretário comprometeu-se em colaborar no diálogo transversal com outras áreas governamentais, como educação, trabalho e turismo, que serão encaminhadas às secretarias respectivas e acompanhadas pela Sedac.

O coordenador da Política de Pontos de Cultura da secretaria, ligado à Diretoria de Cidadania Cultural, João Pontes, ressaltou que o Governo do Estado pretende ter uma atenção especial aos povos indígenas na gestão do programa Cultura Viva no Rio Grande do Sul. Afirmou a importância do compartilhamento de saberes do Ponto de Cultura Kanhgág Jãre junto às demais comunidades Kaingáng e Guarani, já que se trata da única experiência indígena contemplada pelo Cultura Viva no Rio Grande do Sul.

O Instituto do Patrimônio Histórico do Estado (IPHAE), órgão também vinculado à Sedac, esteve representado por assessor técnico em patrimônio imaterial, o antropólogo Mateus Dalla Rosa. O IPHAE vem construindo as diretrizes para implementação de uma política pública de reconhecimento e salvaguarda das culturas populares a partir de seus saberes e fazeres.

COMUNIDADE KAINGÁNG
A comunidade Kaingáng é a terceira maior comunidade indígena do Brasil, estando fundamentalmente localizada no sul do país. Primeiros habitantes da região, Kaingángues e Guaranis compõe a multiplicidade cultural do Rio Grande do Sul, numa população de cerca de 20 mil pessoas.

EXPOSIÇÃO
A exposição é o resultado do Projeto promovido pela Funarte/Minc, desenvolvido e organizado pelas instituições INKA (Instituto Kaingáng) e INBRAPI (Instituto Indígena Brasileiro para Propriedade intelectual), sendo a troca mútua de saberes indígenas com não indígenas, entre a artísta plástica Juçara Valente e os artesãos e artistas de diferentes terras indígenas do Povo Kaingáng.

Fonte: http://www.cultura.rs.gov.br/internas.php?inc=assessoria&cod=1304023010

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